O Que é a Ceia do Senhor
No
decorrer da vida, esquecemo-nos de muitas coisas. Algumas, é melhor mesmo que
esqueçamos, mas há aquelas que, se as esquecemos, estamos condenados a repetir
os erros do passado
Quando
os filhos de Israel atravessaram o mar Vermelho, triunfantes sobre os egípcios
pelo poder de Deus, receberam a festa da Páscoa (Êxodo 13:3-10). O objetivo
explícito dessa festa era ajudá-los a lembrar que Deus os tinha salvado da
poderosa nação egípcia com mão forte e braço estendido. Lembrando-se assim,
eles aprenderiam a confiar no Deus do céu, esperando dele a orientação e a providência.
Mas eles recusaram lembrar-se, e então uma geração de mais de 600.000 homens
morreu no deserto! Eles murmuraram, se rebelaram e pecaram repetidas vezes de
modo que receberam a maldição de Deus e não as suas bênçãos.
O
cristão tem momentos que precisa lembrar? Estávamos perdidos no pecado, sem
esperança e condenados à destruição eterna. Mas Cristo cedeu sua vida por nós,
para redimir-nos dessa maldição. Fez isso quando ainda éramos seus inimigos
(Romanos 5:6-11)! Lemos os últimos capítulos dos quatro evangelhos e ficamos
abismados com o pecado, o orgulho, o ciúme e o ódio que o pregaram na cruz. Mas
será que sabemos devidamente que, se esquecermos isso e vivermos como um
mundano, estaremos crucificando-o e de novo expondo-o à vergonha (Hebreus 6:6)?
Ou será que profanamos o sangue da aliança com o qual fomos santificados e
ultrajamos o Espírito da graça (Hebreus 10:26-30)?
Se
esquecemos a maldição do pecado e o horrendo sacrifício que foi necessário para
libertar o homem desse pecado, estamos fadados a repetir esses pecados e agir
como o cão que "voltou ao seu próprio vômito"
e como a porca lavada que "voltou a revolver-se no lamaçal" (2 Pedro 2:20-22). Para
evitar isso, devemos
lembrar a morte, o sepultamento e a ressurreição de nosso Senhor!
Em
sua sabedoria, o Senhor nos deu uma festa para sempre termos "Jesus Cristo, e este
crucificado" diante de nós. Ele não nos deu estátuas,
cruzes, quadros, imagens ou qualquer coisa terrena, mas nos providenciou uma
simples participação do pão asmo e do fruto de uva no primeiro dia da semana. (Leia atentamente 1
Coríntios 11:17-33.) Mas a festa que ele nos proporciona está repleta de
significado. O pão que representa o corpo de Cristo é sem fermento, mostrando
assim que devemos lutar para viver acima do pecado, exatamente como ele fez (1
Coríntios 5:6-8). O sangue que foi necessário para a nossa purificação é bem
retratado pelo fruto de uva. Isaías 1:18, falando a esse respeito, diz: "Ainda que os vossos pecados
sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam
vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã". Essa lembrança nos
fará apresentar o nosso "corpo por sacrifício vivo santo
e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Romanos 12:1).
A
festa não apenas nos faz olhar para
trás, para o sacrifício dele, mas também nos impulsiona a olhar
para frente,
com esperança. Ao lembrarmos a sua ressurreição, estamos sempre lembrando que
isso é uma promessa da nossa
própria ressurreição - e assim anunciamos "a
morte do Senhor, até que ele venha". Com a lembrança de
seu sacrifício por nós, a esperança de uma recompensa celestial e a sua palavra
a nos orientar, como é possível falharmos?
A
resposta a essa pergunta é que não falharemos se nos lembrarmos! Mas, assim
como os israelitas esqueceram e perderam a vida, assim também podemos esquecer
e perder a alma. Paulo advertiu a igreja de Corinto que "muitos
dormem" (morte espiritual) porque perderam o verdadeiro sentido da ceia do
Senhor. Estavam tomando sem "discernir
o corpo". Que insulto para Cristo é participarmos dessa
festa sem pensarmos em seu sacrifício. O próprio ato que tem por objetivo
ajudar-nos a lembrar acaba sendo assim o meio de esquecermos. Que isso não
aconteça."Pois
também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso, celebremos a festa
não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia e sim com
os asmos da sinceridade e da verdade" (1 Coríntios 5:7-8)
-por Paul H. Hutcheson
No caminho de Emaús
“Nesse mesmo dia, iam dois deles para
uma aldeia chamada Emaús, que distava de Jerusalém sessenta estádios; e iam
comentando entre si tudo aquilo que havia sucedido.
Enquanto assim comentavam e
discutiam, o próprio Jesus se aproximou, e ia com eles; mas os olhos deles
estavam como que fechados, de sorte que não o reconheceram.
Então ele lhes perguntou: Que
palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós?
Eles então pararam tristes. E um
deles, chamado Cleopas, respondeu-lhe: És tu o único peregrino em Jerusalém que
não soube das coisas que nela têm sucedido nestes dias?
Ao que ele lhes perguntou: Quais?
Disseram-lhe: As que dizem respeito a
Jesus, o nazareno, que foi profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus
e de todo o povo, e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades e
entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram. Ora, nós esperávamos
que fosse ele quem havia de remir Israel; e, além de tudo isso, é já hoje o
terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. Verdade é, também, que algumas
mulheres do nosso meio nos encheram de espanto; pois foram de madrugada ao
sepulcro e, não achando o corpo dele voltaram, declarando que tinham tido uma
visão de anjos que diziam estar ele vivo. Além disso, alguns dos que estavam
conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; a
ele, porém, não o viram.
Então ele lhes
disse: Ó néscios, e tardos de coração para crerdes tudo o que os profetas
disseram!
Porventura não importa que o Cristo
padecesse essas coisas e entrasse na sua glória?
E, começando por Moisés, e por todos
os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. Quando
se aproximaram da aldeia para onde iam, ele fez como quem ia para mais longe.
Eles, porém, o constrangeram,
dizendo: Fica conosco; porque é tarde, e já declinou o dia.
E entrou para ficar com eles. Estando
com eles à mesa, tomou o pão e o abençoou; e, partindo-o, lho dava.
Abriram-se-lhes então os olhos, e o
reconheceram; nisto ele desapareceu de diante deles.
E disseram um para o outro:
Porventura não se nos abrasava o coração, quando pelo caminho nos falava, e
quando nos abria as Escrituras?”
Lucas 24:13-32
Este trecho do Evangelho de Lucas
simplesmente me encanta. Nele vejo como nosso Senhor é paciente e bondoso
conosco, mesmo quando estamos atravessando momentos de dúvidas e dores
profundas.
Os dois discípulos no caminho de
Emaús estavam profundamente frustrados com a morte de Jesus, a
quem todos consideravam o libertador de Israel. Sua morte fez com que
desmoronasse toda esperança dos discípulos que haviam
acompanhado Jesus durante seus três anos de ministério terreno.
Tristes, preocupados, frustrados,
enlutados e irados, muitas vezes estamos caminhando o velho caminho de
volta, onde certamente todos os nossos que não creram em Jesus irão
menosprezar nossa fé e nos ridicularizar. Trilhar o caminho de volta significa
que confiamos em um evangelho de falsas promessas para os de
fora, e a vergonha em voltar atrás é quase maior que a decepção com nosso
Messias.
No caminho de volta, Jesus apareceu
aos dois discípulos mas, devido à grande dor e frustração que eles
estavam vivendo, não foram capazes de reconhecer o Senhor. Isso
acontece freqüentemente com TODOS nós. Nos nossos momentos de
dor ficamos cegos, surdos e tardios em compreender. Mesmo assim, lá
está o Senhor, ao nosso lado, falando conosco, enquanto tratamos Ele com
aspereza e grosseria.
Veja como os discípulos responderam
ao Senhor quando Ele perguntou sobre o que vinham conversando entre eles: “És
tu o único peregrino em Jerusalém que não soube das coisas que nela têm
sucedido nestes dias? “ foi a resposta dada à Cristo. E quantas vezes falamos
assim com nosso amado Mestre, mesmo que sem palavras mas, principalmente, com
atitudes? Ele deveria saber tudo o que estava acontecendo! Ele deveria se fazer
presente em nosso meio! Mas lá está Jesus, tratando nossas feridas com
paciência e compreensão, sabendo que a dor da perda estava consumindo
o coração de seus discípulos e por esta razão não poderiam ser
levados a ferro e fogo.
Após terem desabafado, Jesus começa a
expor a eles tudo o que sobre Ele estava escrito, de forma que entendessem que
o que aconteceu era necessário para que se cumprissem as profecias. Este é um
momento que pessoalmente lamento profundamente em não ter estado presente. A
AULA de Teologia dos meus sonhos, tendo o próprio Jesus como Mestre, expondo de
Moisés aos profetas tudo o que sobre o Messias estava escrito. Pedirei
um replay quando estiver no céu.
Após trilharem juntos algum tempo, o
Senhor fez com que achassem que Ele passaria direto, mas a esta altura os
dois discípulos estavam tão encantados com a sabedoria daquele homem que
pediram que Ele ficasse aquela noite com eles.
Entraram e sentaram-se à mesa.
Jesus tomou o pão e o partiu,
assim como fez na última ceia.
Neste momento, seus olhos se abriram
e reconheceram que era Jesus que estava com eles por todo aquele trajeto.
A fé voltou a pulsar em seus peitos.
A alegria e a certeza encheram seus vazios e questionamentos. Seus peitos
ardiam enquanto ouviam Jesus expondo as Escrituras. Reconheceram que aquela era
a Voz que por três anos ouviram, e que dali para frente ouviriam sempre,
através do Espírito Santo. Aquela voz que nós, ovelhas, ouvimos e seguimos. A
voz do Bom Pastor, que nos guia por veredas tranqüilas e pastos verdejantes.
Discernimos a Voz do Senhor das outras vozes, e caminhamos com fé e segurança.
O Senhor vive! Ele estará conosco por
todo o trajeto.
Não será necessário terminar a
jornada de volta, pois o Senhor nos encontrará no caminho, suportará nossas
duvidas e grosserias e nos trará de volta ao Caminho de ida.
Não trilharemos o caminho da derrota,
não voltaremos atrás, pois Ele está conosco.


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